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    Neste espaço daremos voz aos associados do LENE que, através de um artigo cientifico, terão oportunidade de emitir uma opinião com recurso à vida académica, profissional e espiritual.

    Resoluções de Ano Novo

                Resoluções de Ano Novo. Quem nunca pegou num guardanapo de papel, em vésperas de Ano Novo, e escreveu, em tópicos, o que pretendia mudar no ano seguinte? Quem nunca olhou retrospetivamente para o ano cessante analisando os pontos positivos e negativos? Quem nunca prometeu começar o ano “com o pé direito”, tentando ser uma pessoa melhor e conquistar uma vida melhor? Penso que todos nós, de uma ou de outra maneira, já o fizemos.

                Sendo uma prática secular muito comum, a verdade é que tem vindo a ganhar relevância no meio cristão. Começa a ser usual vermos os cristãos, nos últimos dias do ano, elaborarem uma lista onde apresentam algumas resoluções, que vão desde os típicos desejos de saúde e amor, até à realização profissional e financeira. Não obstante, apresentam, não raras vezes, desejos demasiado egoístas, que colidem com a vontade de Deus e com o próximo.

                Desta forma, é escopo desta pequena reflexão, numa primeira parte, apresentar alguns detalhes a ter em consideração no momento de elaboração da lista de resoluções e, numa segunda parte, apresentar uma lista de resoluções à luz da Palavra de Deus.

                Primeiramente, aquando da elaboração da lista de resoluções de Ano Novo devemos ter em mente que:

    1. Devemos olhar para a nossa lista como um compromisso com Deus, não como uma lista de pedidos. Como cristãos, não devemos olhar para Deus como um génio da lâmpada. Tem sido um grande erro da Igreja moderna chegar-se a Deus somente pelo que Ele dá ao Seu povo, em detrimento de vivermos um relacionamento puro e desinteressado com Ele, de O adorarmos pelo que é, de buscarmos a Sua presença como fonte de vida. Uma lista de resoluções não deve ser mais do que um compromisso perante Deus e deve versar sempre num aperfeiçoamento do homem. Jesus convida-nos a sermos perfeitos tal como o é o nosso Pai Celestial (Mateus 5:48). Perante Deus jamais poderemos apresentar quesitos egoístas – se pedimos algo para nós, que seja a mudança, de forma a alcançar a perfeição. É um caminho que se faz caminhando diariamente com Deus, pois sem Ele será tempo perdido. É Ele quem nos reveste de força e torna perfeito o nosso caminho (II Samuel 22:33).

                Por outro lado, a nossa lista pode basear-se num plano para o futuro. É lícito apresentarmos a Deus um plano de algo para a nossa vida, desde que tal não viole princípios bíblicos e se enquadre no plano que Deus tem para nós. Muitas vezes os planos que temos em mente falham por não darmos ouvidos à voz de Deus (Provérbios 15:22), ouvindo apenas a voz do nosso coração, tão enganoso por vezes (Provérbios 19:21). É tempo de procurarmos ter um coração igual ao de Jesus, um coração que atua sempre na vontade do Pai, e de colocar os nossos planos nas mãos de Deus, consagrando-Lhe tudo o que fazemos (Provérbios 16:3). Quando o nosso coração está firme na Palavra de Deus, podemos ficar certos de que os nossos planos irão ser abençoados, para a glória de Deus.

    1. Devemos ter zelo e diligência em tudo o que apresentamos diante de Deus. Apresentando a Deus o desejo de mudança, devemos estar conscientes do que estamos a pedir e/ou prometer a Deus. Quando pedimos a Deus que aumente a nossa fé, devemos esperar problemas difíceis. Quando pedimos humildade, aguardemos por situações que irão colocar o nosso eu à prova. Quando pedimos mais amor pelo próximo, Deus coloca no nosso caminho alguém praticamente impossível de amar. Deus usa estes atributos para nos aperfeiçoar e fazer crescer durante o processo. Deus usa a bênção para nos tornar ainda mais dependentes Dele, e isso é bom! À medida que o cristão vai crescendo em Jesus, também a dependência Nele deve aumentar – é uma realidade contranatura que só os verdadeiros cristãos percebem. O aperfeiçoamento dos santos implica sempre um aumento da conexão com Deus, e nunca o contrário.
    2. A nossa lista de resoluções não deve ter por base as coisas materiais. Em Mateus 6:25-34, Jesus Cristo fala-nos sobre a nossa preocupação com os bens e com o dia de amanhã. Enquanto seres humanos, é legítimo termos alguma preocupação com estas questões. É por elas que estudamos e trabalhamos, na certeza de que Deus honrará o nosso esforço e dedicação diários. Mas Jesus quer mais de nós. Nesta passagem, Ele aumenta o nosso nível de relacionamento, dizendo para não nos preocuparmos com estas questões, pois elas tratam de si mesmas. Não percamos o nosso precioso tempo com Deus pedindo pelas coisas do dia-a-dia – aproveitemos o tempo em que estamos a pisar o Santo dos Santos para apreciarmos a beleza da Sua santidade, a Sua presença e o seu amor que tão graciosamente nos dá. Ele sabe do que precisamos fisicamente e compromete-se a auxiliar-nos na nossa jornada, providenciando o que precisamos, tal como faz com as aves e os lírios do campo. Este é o tempo ideal para pensarmos mais no Seu Reino, buscando-o a cada dia e crescendo em graça e no amor do Pai.

                Vistos alguns cuidados a ter com as nossas resoluções de Ano Novo, qual será a melhor resolução que um cristão deve apresentar diante de Deus neste fim de ano? A resposta é simples: a que nos torne mais parecidos com o nosso Mestre, Jesus Cristo. O cuidado de Deus para com os Seus filhos é tão grande que até providenciou para nós essa lista:

                “Digo, porém: andai no Espírito e jamais satisfareis à concupiscência da carne (…) Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio. Contra estas coisas não há lei.” - Gálatas 5:16, 22, 23.

                Quanto estamos crucificados com Cristo e vivemos Nele (Gálatas 2:20), quando Espírito Santo de Deus habita em nós e nos guia, o fruto do Espírito será visível em nós. Se plantarmos a nossa fé em Deus e no Seu filho Jesus Cristo, que se fez homem para nos salvar de uma vida de eterna condenação, colheremos bom fruto – o fruto do Espírito Santo. Como filhos de Deus, esta deve ser a nossa resolução para 2019: andar no Espírito, refletindo a essência e luz de Jesus Cristo.

                Quando falamos em frutos não falamos em obras. A maioria de nós pode gabar-se de nunca ter cometido um homicídio; mas o que dirá Deus do nosso caráter quando olha para o mais íntimo do nosso ser? As obras contrastam com os frutos. As primeiras implicam sempre esforço, trabalho, cansaço. As segundas trazem à nossa mente a ideia de beleza, tranquilidade, evolução da vida. A carne tende a produzir obras mortas (Hebreus 9:14), mas o Espírito produz fruto vivo. A carne pode simular um outro fruto, mas jamais será capaz de produzi-lo. A operação da carne traz orgulho e autorrealização, mas quando o Espírito produz fruto, Deus é glorificado.

                Em que se deve basear, então, a nossa lista de resoluções para o ano vindouro? Em produzir:

                - AMOR: O Apóstolo Paulo enuncia esta lista taxativa com o amor. É dele que decorrem todos os outros frutos. O amor aqui retratado é o amor ágape, o amor divino que é dom de Deus para nós (Romanos 5:5), o qual devemos cultivar dia após dia, pedindo a Deus que o faça aumentar (Filipenses 1:9). E que amor é esse, em termos práticos? É o que Paulo explica em I Coríntios 13:1-7: “Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine.
    E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria. E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria. O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece. Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal; Não folga com a injustiça, mas folga com a verdade;
    Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta
    .”

                - ALEGRIA: Quem vive o amor de Deus experiência uma alegria interior que não se deixa afetar por circunstâncias exteriores. Onde está o amor de Deus, está a alegria. O Salmista refere que o amor é o cumprimento da Lei, e cumprir a Lei traz alegria (Salmos 119:16, 24, 35, 47, 70). É uma espécie de otimismo santo que nos faz seguir em frente, independentemente das dificuldades que nos rodeiam, “pois tudo coopera para o bem daquele que ama a Deus.” (Romanos 8:28). A nossa alegria não é igual à do mundo, que se baseia numa diversão superficial e momentânea, mas é uma antecipação da alegria celestial que está reservada para os salvos em Cristo.

                - PAZ: Em conluio, o amor e a alegria produzem a paz. A paz que só Deus pode dar – “a paz que excede todo o entendimento.” (Filipenses 4:7). Esta paz é a serenidade do coração, a porção de todos os justificados pela fé (Romanos 5:1) desejam ser instrumento nas mãos de Deus para que outros possam sentir essa tranquilidade. Quem tem paz promove a paz (Mateus 5:9).

                - LONGANIMIDADE: A capacidade de perseverar pacientemente de forma corajosa sem nunca renunciar ao plano de Deus ou desistir. O cristão longânimo é aquele que sofre o dano provocado por outrem sem nunca pagar na mesma moeda. É aquela que não busca vingança, mas deixa que seja Deus a agir em juízo. É aquele não deseja mal aos seus inimigos. A longanimidade é inspirada pela confiança em Deus e no cumprimento das Suas promessas (II Timóteo 4:2,8; Hebreus 6:12).

                - BENIGNIDADE: É agradável e amorosa. É um reflexo da benignidade originária demonstrada por Deus (Romanos 2:4). Os Evangelhos contêm várias demonstrações de benignidade de Cristo para com os pecadores – nunca rejeitou quem O buscava (Marcos 10:13-16; João 8:1-11).

                - BONDADE: É o amor em forma prática. É a excelência moral e espiritual visível na generosidade de coração e de ação.

                - FIDELIDADE: A característica de quem é confiável e leal à Palavra de Deus. Quem medita nas Escrituras e vive de acordo com Elas. Quem vive o que prega. Quem vive verdadeiramente o Evangelho.

                - MANSIDÃO: O uso correto do poder e autoridade. Nada tem que ver fraqueza, ao contrário do que o mundo nos diz. O próprio Jesus Cristo revelou ser “manso e humilde de coração” (Mateus 11:29) e Moisés também revelou ser “mui manso” (Números 12:3) e nenhum deles poderá ser acusado de fraqueza. O cristão manso não se impõe autoritariamente nem usa indevidamente o seu poder.

                - DOMÍNIO PRÓPRIO: A relação que alguém tem consigo mesmo. A qualidade de se saber conter. Quem tem domínio próprio consegue levar o seu pensamento e ação à submissão e obediência a Jesus Cristo (II Coríntios 10:5).

                Para estas coisas não há lei! Contra isto não existe lei. O Apóstolo Paulo encoraja-nos a manifestar estas qualidades, de forma a vivermos uma vida santa, na busca pela perfeição que só Jesus nos pode dar.

                Que esta lista seja uma realidade nos nossos corações em 2019. Que seja um incentivo a exibir um caracter que é nosso através de Jesus Cristo, para glória do Pai. Para lá da busca por uma vida melhor, procuremos neste novo ano buscar ser como o nosso ídolo Jesus Cristo, levando o seu bom cheiro por onde andarmos, repartindo o fruto que só o Espírito Santo nos pode fornecer.

                Que Deus ricamente vos abençoe,

    Cláudia Alves Pratas

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